8 de out de 2007

DESABAFO

Sinop, sexta-feira, dia 05 de outubro de 2007

Eu Jilcimar, me dirigi no dia 05/10/2007, exatamente as 15:45 horas, até a Praça União, onde ministro aulas de Break, através de um projeto social da CUFA – Central Única das Favelas, com apoio da Associação de Moradores do Residencial Jequitibás.

Após 5 minutos que eu estava na Praça, chegaram alguns policiais, abordaram eu e mais 02 (dois) amigos que lá estavam comigo, fizeram revista e solicitaram nossos documentos, eu que na ocasião tinha deixado os meus em casa, respondi que morava perto e que os documentos estavam em casa.

O policial, se mostrando alterado, nervoso, nos disse que estávamos detidos por estar sem documentos e que o local era suposto ponto de tráfico de drogas, fui tentar um dialogo, dizendo que estudava e que neste dia em questão tinha uma prova importante, que naquele espaço tinha projetos sociais, pra resgatar o ambiente e disse ainda que ali tinha pessoas de bem.

Ironicamente ele falou que não queria saber de porra nenhuma, que eu iria preso mesmo, e assim nos encaminho a viatura, e dirigimos para companhia do posto policial do Jardim Boa Esperança, nos tiraram da viatura, registraram o boletim de ocorrência, e nos encaminharam para uma sala, passados 15 minutos, veio o policial, falando e batendo no meu amigo, eram constantes os socos que ele dava no peito do meu amigo, cheguei a ter a sensação que por ter tentado ter um dialogo com eles, eles não iriam bater em mim, mas foi só ilusão.

O policial me perguntou, sobre o que eu estava fazendo num lugar daquele, que no caso é a Praça União, ai repetir novamente que lá ministro aulas de dança pra gurizadinha, que sou membro da CUFA, e que nossos objetivos era o de resgatar a gurizada também, proporcionando alternativas e atividades a eles, para que eles não entrem no vicio, crime e outros atos ilícitos, fortalecendo assim toda comunidade.

Ai o policial afirmou que ali não freqüentavam pessoas de bem, que todos são vagabundo e ainda me perguntou, “Sua mãe vai num lugar daquele?”.

Fui verídico e falei que sim, que ela freqüentava sim, até por acreditar no trabalho que desenvolvo, e creio que ele entendeu como provocação, ou sei lá o que aconteceu, mas foi só eu responder e começou a tortura sobre mim, ele me espancou muito, parecia que tinha raiva de mim, ele me bateu muito e por muito tempo, só parou quando viu que eu estava muito mal, que os hematomas tomavam meu corpo, posteriormente a isso eles nos encaminharam novamente ao camburão e nos deixaram lá dentro da mesma, amontoados um sobre o outro, num sol de mais ou menos 40º, por mais ou menos 01 (uma) hora, eu todo machucado, estava fraco e comecei a passar mal, eles então entraram na viatura e iria nos levar, creio que para Praça, quando 01 (um ) dos policiais falou, “vamos levar o menino para o hospital”, o outro respondeu, porra nenhuma, vamos levar eles pra dormir no corrózinho da policia civil logo.

Chegando na Civil, nos entregaram aos policiais civis, onde o tratamento mudou do joio pro trigo, nos trataram com respeito, mas nos liberaram para ir pra casa somente no outro dia às 09:00 horas da manhã, mas ao menos houve dialogo, o policial afirmou que não poderiam ter nos prendido, que no caso o melhor a ter sido feito era nos mandar para casa buscar os documentos, até porque eram 16:00 horas a hora em que nos prenderam, e afirmou ainda que se eu não buscasse os meus direitos, eu estaria sendo omisso e burro.

Como não deixaram eu contactar minha Mãe, quando cheguei no Jardim Jequitibás, ela estava desesperada e ficou transtornada com o meu estado, todo marcado dos chutes e murros que levei, a comunidade toda ficou transtornada, e agora eu com ajuda da minha Mãe, da minha namorada Nayara, do meu parceiro Anderson e do Sr. Helmir da Associação, estamos buscando meus direitos, e justiça para nossa cidadania.

E aqui estou, protestando e mais do que isso desabafando minha mágoa e revolta com este sistema de segurança pública, que não da certo em lugar nenhum!!!!


Jilcimar Tavares
Estudante, Pedreiro e Instrutor de Break da CUFA

3 comentários:

gian disse...

awe achei mo sacanagem oq fizeram com vcs kras mais fiquem tranquilos q justiça seja feita e eu acredito q um dia vcs vao superar

gian disse...

viu so mais uma coisinha tou awe pra ajudar qualqer coisa da um toque meu msn é: g.i.a.n_scorpion@hotmail.com

Sangar disse...

Minha solidariedade, meu rapaz! Barbárie foi o que fizeram contigo; esse fato aumenta a estatística de vítimas da truculência policial.
Infelizmente, a justiça nesses casos quase não se faz. Ainda assim vale a pena buscá-la, pois nenhum crime deveria restar impune.