1 de jan de 2010

A CUFA É...



Por Notícias Site Uol.


A Central Única das Favelas é uma organização nacional que surgiu através de reuniões de jovens de várias favelas do Rio de Janeiro – geralmente negros – que buscavam espaço na cidade para expressar suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver. Estes jovens, em sua maioria, pertenciam ao movimento hip hop ou por ele eram orientados. A partir das reuniões, descobriram que juntos poderiam sonhar mais e se organizaram em torno de um ideal: transformar as favelas, seus talentos e potenciais diante de uma sociedade onde os preconceitos de cor, de classe social e de origem ainda não foram superados. Assim, fundaram a CUFA, cuja manifestação cultural é o hip hop, mas que busca ampliar e atingir outras formas de expressões, conscientizando e elevando a auto-estima das camadas não privilegiadas, por meio de uma linguagem própria.


Desde 1998, a CUFA funciona como um pólo de produção cultural e através de parcerias, apoios e patrocínios forma e informa jovens de comunidades, oferecendo perspectivas de inclusão social. Promove atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania – contribuindo para o desenvolvimento humano – e trabalha com oito elementos do hip hop: graffiti (movimento organizado nas artes plásticas em que o artista aproveita espaços públicos, criando uma nova identidade visual em territórios urbanos); DJ (artista que alia a técnica à performance, utilizando pick-ups e discos de vinil); break (estilo de dança de rua originário do movimento hip hop); rap (‘ritmo e poesia’, estilo musical culturalmente herdado das populações latinas e negras e cujas letras retratam o cotidiano das periferias); audiovisual (valorização da imagem como instrumento de mobilização social); basquete de rua (esporte oficialmente embalado pelo rap); literatura (onde os jovens expressam sua arte e suas vivências através da escrita e obtêm conhecimentos relativos às obras ou aos escritores literários) e projetos sociais (conjunto de ações que busca por uma transformação social a partir das comunidades). Além disso, promove, produz, distribui e veicula a cultura hip hop através de publicações, discos, vídeos, programas de rádio, shows, concursos, festivais de música, cinema, oficinas de arte, exposições, debates, seminários e outros meios.


A CUFA, ao longo destes anos, tornou-se um referencial para as comunidades e possui hoje bases de trabalho em vários estados do Brasil, como Minas Gerais,São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso e Bahia. No Rio de Janeiro, temos núcleos de trabalho na Cidade de Deus (Jacarepaguá), Complexo Acari, Jardim Nova Era (Nova Iguaçu), Jacarezinho e Pedra do Sapo, para citar algumas.


Por que o hip hop?


• Porque é um movimento cujo gênero musical – o rap – começa a aquecer o mercado fonográfico nacional. O rap, apesar de discriminado e mal compreendido, aponta para novos caminhos de percepção do mundo e da sociedade, incorporando a presença do negro e a tematização ampla da causa negra.


• Porque é um movimento cultural, artístico, político e social que aproxima os jovens alijados de todos os mecanismos de emancipação, indicando formas criativas e alternativas de superar a segregação.


• Porque tem conseguido informar a sociedade de sua relevância, conscientizar o povo da periferia de sua cidadania, oportunizar a arte aos jovens e resgatar vários destes da iminência de vícios, sensibilizando também os que estão neste rumo.


• Porque as populações provenientes das periferias também têm voz e precisam ser ouvidas, enfim, participar enquanto atores sociais do espaço público, ou melhor, conquistar um espaço político.


• Porque é uma expressão cultural que há vinte anos faz parte dos guetos brasileiros e que, mesmo sem a força da mídia, cresce e se fortalece a cada dia, provando que merece ser reconhecido e valorizado.


Existe uma afinidade fundamental entre a militância do hip-hop e os trabalhos da CUFA. O hip-hop é uma solução criada pelos próprios habitantes das comunidades. É um movimento de afirmação identitária composto por elementos que representam a luta em prol dos excluídos e cuja linguagem fala de dentro para dentro, retratando a imagem da periferia como ela é realmente. A favela é um personagem que deve falar por si e participar do diálogo cultural, político e social com outros grupos. O público-alvo e os objetivos que ambos almejam são os mesmos: estimular as ações de protagonismo dos moradores de comunidades, promover uma revolução popular na cultura brasileira...

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